Diante da injustiça, a covardia se veste de silêncio (Julio Ortega) - frase do blog http://www.findelmaltratoanimal.blogspot.com/

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O pioneirismo filosófico na academia requer reserva da energia para o debate sobre o objeto de estudos e os desdobramentos de propostas que se delinearem sob a nova concepção. Entrevista com Sônia T. Felipe

Por Maria Alice da Silva*

O ecofeminismo será um dos principais temas a ocupar os debates do XXI Encontro Anpof, que acontecerá em novembro em Florianópolis. Ivone Gebara, uma das maiores referências nesse tema na América Latina e autora de “Teologia Ecofeminista”, será a conferencista que vai abrir o evento em Santa Catarina. Não por acaso, a UFSC, universidade que acolherá esse que é o maior evento de Filosofia do Brasil, é o terreno por onde vêm sendo trilhados e gestados trabalhos densos e comprometidos com o tema, pelo menos desde a década de 1980. Sônia Teresinha Felipe, professora do departamento de Filosofia da UFSC por quase 30 anos, é pioneira na reflexão sobre ecofeminismo no Brasil, e também sobre a ética dos direitos dos animais. Ali, ela abriu caminho para que outras pesquisadoras também pudessem conhecer e desenvolver seus trabalhos sobre ética animal e ecofeminismo.

É o caso de Maria Alice da Silva, doutora e mestra pelo PPGFIL/UFSC, autora do livro “Direitos animais: fundamentos éticos, jurídicos e políticos”, publicado em 2020 pela Ape’ku editora. Quando conheceu a professora Sônia, em 2008, na UFSC, ela já se preparava para a aposentadoria, mas os caminhos já estavam trilhados e abertos para que ela e outras pesquisadoras desenvolvessem trabalhos nesses temas. Abaixo, Maria Alice entrevista a professora Sônia, que revisita sua trajetória intelectual e política, marcada pelo enfrentamento crítico de um cânone tradicionalmente masculinizado e pela abertura de novos campos de investigação, como a ética animal, o ecofeminismo e as teorias abolicionistas.