Por Dr. phil. Sônia T. Felipe
É pelo golpe do chicote que o forçam a mover-se. Desde
jovem. Escravizado. Passa o dia puxando a carroça carregada. Os cascos
firmam-se contra o asfalto, resvalam nos paralelepípedos plantados de forma
irregular, as lajotas deslocadas de seu berço, as poças d’água, as pedras que o
fazem torcer a pata. E ele evoluiu para galopar nos prados...
O peso é descomunal. O da carroça, feita de madeira maciça,
e o das rodas, feitas de ferro. Mas isso ainda não é tudo, não basta para os
humanos que o mantêm na condição de refém, de escravo. Há mais peso ali,
acrescentado ao da carroça. Ora é carga inerte, tijolo, telha, entulho, lixo.
Ora é carga viva. E não é pouca.